Água = vida
A Terra é azul
porque três quartos da sua superfície está coberta de água. Pena
que 97,5% pertença aos oceanos. Da pequena parcela que corresponde
à água doce, 90% está estocada nos pólos e no subsolo. O resultado
final é que somente 0,26% de toda água existente está disponível
para consumo humano. Não é de admirar que estejamos à beira de uma
grande crise e que em regiões de mais intensa escassez como no
Oriente Médio se fale em guerras pela água, o bem mais
precioso.
Mesmo no Brasil, onde estão 12% das reservas planetárias de água
doce, a distribuição e o acesso são desiguais. Kyoto, Osaka e
Shiga, onde vivem quase 6 milhões de japoneses, sediaram o 3º Fórum
Mundial da Água ocorrido entre o dia 16 e 23 de março de 2003 com a
participação de 180 países e 24 mil delegados, assistindo a
intensos debates sobre como levar à prática resoluções já tomadas
em mega-reuniões anteriores da ONU, como a Rio + 10 de Joanesburgo
em 2002 e a que originou a Declaração do Milênio no ano 2000, onde
se prevê reduzir à metade até 2015 a proporção de pessoas sem
acesso a água potável e segura (e a serviços de saneamento básico).
Para que tais metas se concretizem, será preciso aplicar nos países
em desenvolvimento e em transição (Europa Oriental) 180 bilhões de
dólares anualmente, ao longo dos próximos 25 anos. Hoje, os gastos
anuais são de 80 bilhões.
“Embora o País tenha muita oferta de água, a distribuição não é ideal, tem muitas discrepâncias”, diz o coordenador da área de meio ambiente da Unesco no Brasil, Celso Schenkel. Num ranking da Unesco envolvendo 180 países sobre a quantidade anual de água disponível per capita, o Brasil aparece na 25ª posição – com 48.314 m³.
O mais pobre em água é o Kuwait (10 m³ anuais por habitante, seguida pela Faixa de Gaza (52m³) e Emirados Árabes Unidos (58m³). Na outra ponta, excetuando-se a Groenlândia e o Alasca, a Guiana Francesa é o país com maior oferta (812.121 m³), seguida por Islândia (609.319 m³), Guiana (316.698 m³) e Suriname (292.566 m³).
Em todo o mundo, as mudanças climáticas serão responsáveis por 20% do aumento da falta d’água, diz o relatório. Não somente nas zonas propensas à seca, mas também nas áreas tropicais e subtropicais as chuvas devem ser menos intensas e menos freqüentes.
Seis mil crianças com menos de cinco anos morrem por dia em todo o mundo em razão de doenças relacionadas a impurezas da água consumida. O informe alerta que a escassez nos reservatórios será resultado do crescimento populacional, da poluição e das mudanças climáticas. A previsão é de que a disponibilidade de água por pessoa vai cair um terço nos próximos 20 anos.
O relatório foi uma das mais importantes contribuições levadas ao 3º Fórum Mundial da Água, em Kyoto. O trabalho da Unesco destaca ainda que, até 2050, dois milhões de pessoas de 48 países enfrentarão problemas de escassez de água. Isso numa projeção otimista. Numa avaliação pessimista, a crise poderá afetar sete milhões de pessoas em 60 países. Os países mais pobres em oferta de água são: o Kuait, com dez metros cúbicos de água por pessoa ao ano, a Faixa de Gaza, com 52 metros cúbicos, e os Emirados Árabes, com 58 metros cúbicos. O país com a melhor oferta de água no mundo é a Groelândia.
O relatório das Nações Unidas é o maior já produzido sobre a disponibilidade e a qualidade da água no mundo.
O diretor do Programa Mundial de Água da Unesco, agência da ONU responsável pelo relatório, Gordon Young, afirmou à agência Reuters que não existe água em condições higiênicas e sanitárias adequadas para cerca de 40 % da população mundial. “Este fato é uma tragédia absoluta”, disse ele.
O diretor da Unesco ressaltou que os líderes mundiais não demonstram disposição em resolver a queda no abastecimento de água.
Para Gordon Young, os políticos atuais gastam muitos recursos na construção de armamentos e, por isso, não sobra dinheiro para a implementação de projetos para melhorar a qualidade e aumentar a quantidade de água disponível.
ÁGUA: muita procura e pouca oferta
Tudo o que fazemos hoje de certo ou errado terá uma conseqüência no futuro. Refletir sobre isso, principalmente, no que se refere à preservação da água doce do planeta.
Até quando o planeta poderá suportar o ritmo atual de exploração dos recursos de água doce?
A água, fonte de vida, é um recurso de valor econômico e uso coletivo, que deve ser gerido de maneira a não provocar conflitos ou desequilíbrios. O desperdício da água e seu uso indisciplinado trazem conseqüências desastrosas e expõem terras frágeis à desertificação.
PROBLEMA GLOBAL
No estudo científico “Vital Signs”, de 1993, editado pelo Worldwatch Institute, os pesquisadores Lester Brown, Hal Kane e Ed Ayres chegaram a uma conclusão assustadora: a capacidade da Terra em fornecer o suprimento de água necessário à vida da população terrestre está se esgotando.
Os problemas de água atingem hoje principalmente o Oriente Médio, o Norte da África, a Ásia Central e a África subsaariana. Mas também há escassez na China Ocidental, no Oeste e Sul da Índia, no Oeste da América Latina e em grandes regiões do Paquistão e do México. “
As guerras do século XX foram por petróleo. As do século XXI serão por água”, previu o vice-presidente do BIRD (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Ismail Serageldin. A possibilidade de conflitos bélicos pelo controle dos recursos hídricos se justifica pela simples razão de que cerca de 220 grandes reservas de água na Terra ficam em regiões de fronteira (dados da Unesco).
Segundo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento, nos próximos 10 anos, serão necessários 800 bilhões de dólares em investimentos para evitar que o mundo sofra uma seca sem precedentes. Os recursos disponíveis não passam de 40 bilhões.
Pesquisas da Organização Mundial da Saúde comprovam que 1,2 bilhão de pessoas não dispõem de água potável para uso doméstico; 80% das doenças e 30% dos óbitos registrados são causados por água contaminada. No total, 26 nações possuem menos de 1.000m³ de água potável por habitante/ano (segundo a Organização das Nações Unidas), o que coloca uma população de 255 milhões de pessoas à beira do colapso. Segundo a Unesco, o consumo de água no planeta, de 1900 para 1995, aumentou de 6 a 7 vezes, mais que o dobro do crescimento da população no período. Conseqüentemente, a água disponível caiu de 12.900m³/pessoa/ano, em 1970, para 7.600m³, em 1995.
Para eliminar as disparidades e proteger a água, a água fresca precisa ser reconhecida, em nível internacional, como bem e herança comum. Esse conceito, que enfatiza a importância do compartilhamento, é também uma contribuição para a paz. Porque a água, cada vez mais vital, tornou-se também uma questão estratégica. No mundo, 261 bacias fluviais são divididas entre Estados diferentes, o que gera o risco de “guerras pela água”. A comunidade internacional precisa impedir que conflitos sobre a alocação da água tornem-se mais ruidosos do que o diálogo, por meio de instrumentos legais sólidos, especialmente nas áreas onde a escassez se alia a tensões políticas.
Nos últimos 20 anos o consumo per capita de água dobrou no Brasil e a expectativa é de que dobre outra vez nos próximos vinte anos. Mas a disponibilidade de água per capita atualmente é três vezes menor do que em 1950. Segundo a OMS (dados de 1998), 72 brasileiros em cada 100 contam com sistema de abastecimento de água.
Disponibilidade da água na terra
A provisão de água doce está diminuindo a nível mundial. Uma pessoa em cada cinco não terá acesso a água potável.
A água é cada vez mais um bem escasso no planeta. Seu volume total não está se reduzindo, porque não há perdas no ciclo de evaporação e precipitação; o que caracteriza a escassez é a poluição. Muito se fala em falta de água e que, num futuro próximo, teremos uma guerra em busca de água potável. O Brasil é um país privilegiado, pois aqui estão 11,6% de toda a água doce do planeta. Aqui também se encontram o maior rio do mundo – o Amazonas – e parte do maior reservatório de água subterrânea do planeta – o Sistema Aqüífero Guarani.
No entanto, essa água está mal distribuída: 70% das águas doces do Brasil estão na Amazônia, onde vivem apenas 7% da população. Essa distribuição irregular deixa apenas 3% de água para o Nordeste. Essa é a causa do problema de escassez de água verificado em alguns pontos do país. Em Pernambuco existem apenas 1.320 litros de água por ano por habitante e no Distrito Federal essa média é de 1.700 litros, quando o recomendado são 2.000 litros.
Mas, ainda assim, não se chega nem próximo à situação de países como Egito, África do Sul, Síria, Jordânia, Israel, Líbano, Haiti, Turquia, Paquistão, Iraque e Índia, onde os problemas com recursos hídricos já chegam a níveis críticos. Em todo o mundo, domina uma cultura de desperdício de água, pois ainda se acredita que ela é um recurso natural ilimitado. O que se deve saber é que apesar de haver 1,3 milhão de km3 livre na Terra, segundo dados do Ministério Público Federal, nem sequer 1% desse total pode ser economicamente utilizado, sendo que 97% dessa água se encontra em áreas subterrâneas, formando os aqüíferos, ainda inacessíveis pelas tecnologias existentes.
A água dos continentes concentra-se praticamente nas calotas polares, glaciais e no subsolo, glaciais e no subsolo, distribuindo-se a parcela restante, muito pequena, por lagos e pântanos, rios, zona superficial do solo e biosfera.
A água do subsolo representa cerca de metade da água doce dos continentes, mas a sua quase totalidade situa-se a profundidade superior a 800 m.
A biosfera contém uma fração muito pequena da água dos continentes: cerca de 1/40.000.
A quase totalidade da água doce dos continentes (contida nas calotas polares, glaciais e reservas subterrâneas profundas) apresenta, para além de dificuldades de utilização, o inconveniente de só ser anualmente renovável numa fração muito pequena, tendo-se acumulado ao longo de milhares de anos.
As perspectivas para o próximo século indicam um cenário de escassez da água até o ano 2050 (revista Veja dez/98):
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Previsões:
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1999
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2050
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População
Mundial
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6.0
bilhões
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9.4
bilhões
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Suficiência
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92%
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58%
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Insuficiência
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5%
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24%
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Escassez
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3%
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18%
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Exaustão do lençol freático: ameaça oculta à segurança alimentar?
A alimentação disponível em muitos países em vias de desenvolvimento depende dos lençóis freáticos utilizados para a irrigação. Se não for feita uma gestão mais sustentável deste recurso, algumas das regiões mais densamente povoadas do globo podem sofrer uma crise grave num futuro próximo.
O primeiro estudo global do IWMI sobre a escassez de água, publicado em 1998, identificou a exaustão incontrolada dos lençóis freáticos como uma ameaça séria à segurança alimentar em muitos países em vias de desenvolvimento.
Nestes países, os lençóis freáticos emergiram como o pilar da economia agrícola alimentar. Mas este precioso recurso não está a ser utilizado de modo sustentável. Nos países que dependem dos lençóis freáticos para a irrigação, o bombeamento excessivo está a provocar a queda das superfícies de água doce para níveis alarmantes. O futuro da segurança alimentar de muitos dos países mais populosos do mundo – China, Índia, Paquistão e quase todos os países do Médio Oriente e da África do Norte – dependerá amplamente da forma como os responsáveis gerem hoje os seus recursos aqüíferos subterrâneos.
As conseqüências da não gestão deste problema são potencialmente catastróficas, especialmente para as populações mais pobres, que são as mais afetadas pela escassez de água. O objetivo do estudo sobre os lençóis freáticos do IWMI é identificar e promover meios de gerir melhor este recurso.
A utilização dos lençóis freáticos põe três problemas:
· a exaustão conseqüente à exploração excessiva,
· a saturação do solo pela água e
· a salinização, causadas por drenagem insuficiente e a poluição, derivada da intensa atividade agrícola, industrial e humana.
Há países que
já estão a sofrer as consequências da utilização excessiva dos
lençóis freáticos.
Em Henan, província de 2 milhões de hectares no Norte da China,
cerca de 52% das terras irrigadas são servidas por poços tubulares.
Os dados de controle da superfície dos lençóis freáticos relativos
a 358 poços mostram que a superfície dos lençóis freáticos diminuiu
de 0,75 a 3,68 metros entre 1975 e 1987.
Na bacia do rio Fuyang do Norte da China, a superfície dos lençóis freáticos caiu de 8 para 50 metros nos últimos 30 anos, à medida que foi aumentando o número de agricultores que recorreram à irrigação a partir de lençóis freáticos para compensar o decréscimo das águas de superfície disponíveis.
Em muitas zonas da Índia e do Paquistão, as superfícies dos lençóis freáticos estão a descer à taxa de 2 a 3 metros por ano, devido ao número crescente de poços de irrigação – cerca de um milhão por ano.
Em dois Punjabs, Haryana e Rajasthan Ocidental, a salinidade é a principal conseqüência da utilização excessiva dos lençóis freáticos. No Norte de Gujarat e no Rajasthan Meridional, o problema é a contaminação pelo flúor.
Todos estes
problemas enfraquecem a capacidade destes países de fornecerem
alimentos à sua população. Alguns peritos prevêem que a exaustão
dos lençóis freáticos pode pôr em risco 25% das colheitas da
Índia.
Não há solução simples
O estudo sobre os lençóis freáticos do IWMI incide na problemática da pobreza e tenta compreender e resolver o leque de problemas resultantes dos níveis dos lençóis freáticos. Em zonas de lençóis freáticos abundantes, os cientistas do IWMI estão a examinar em que medida as aglomerações e as aldeias se podem organizar para fazerem a gestão e a partilha ideais da água de irrigação. Em zonas que sofrem da exploração excessiva dos lençóis freáticos, o trabalho do IWMI procura definir o alcance do problema utilizando meios como a cartografia dos recursos dos lençóis freáticos e o desenvolvimento de novas abordagens para a gestão sustentável dos lençóis freáticos. Estas incluem a utilização combinada das águas subterrâneas e de superfície, a recolha de águas pluviais, a recarga dos lençóis freáticos, as instituições locais e a irrigação de precisão para uma utilização mais eficaz da água.
Água já rende mais que petróleo e gás
Jean-Marie Messier perdeu bilhões de euros ao transformar a maior empresa de abastecimento de água do mundo no conglomerado de entretenimento Vivendi Universal. Deveria ter ficado com a água. A falta de água potável no mundo a tornou mais valiosa do que o petróleo. O índice Bloomberg World Water Index, de 11 empresas do setor, registrou o rendimento anual de 35% desde 2003, em relação aos 29% das ações de petróleo e gás e aos 10% do índice Standard & Poor’s 500.
Do gestor de fundos de hedge T. Boone Pickens ao especialista em compras de empresas Guy Hands, os maiores investidores do mundo estão escolhendo a água como o produto básico que poderá se valorizar mais nas próximas décadas. As Nações Unidas calculam que até 2050, mais de 2 bilhões de pessoas de 48 países sofrerão com a escassez de água.
“Há apenas uma direção para os preços da água na atualidade, e é para cima”, diz Hans Peter Portner, que administra o Water Fund, de US$ 2,9 bilhões, na Pictet Asset Management, de Genebra. O fundo aumentou 26% no ano passado, e Portner prevê rentabilidade anual da água de 8% até 2020.
Jeffrey Immelt, presidente da General Electric (GE), diz que a “escassez” de água potável em todo o mundo aumentará mais que o dobro a receita a ser obtida com o tratamento e a purificação de águas, para US$ 5 bilhões até 2010. “Este será um mercado grande e em expansão por um longo período”, à medida que os governos lutam para levar água para 4 bilhões de pessoas que moram nas áreas de grave escassez, disse Immelt na assembléia anual da empresa em Filadélfia, EUA, em abril.
Albert Frère, o homem mais rico da Bélgica, tem investimentos de € 2,7 bilhões (US$ 3,4 bilhões) em água e energia por meio de cota mantida na Suez, segunda proprietária mundial de empresas de água, depois da Veolia Environnement, separada pela Vivendi em 2000.
Os indícios do abastecimento de água cada vez menores são evidentes em todo o mundo. A maioria dos restaurantes já não estão oferecendo um copo de água grátis aos seus comensais e as cidades restringem o seu uso em piscinas privadas e jardins. Mais de 98% da água do mundo é salgada e a maior parte do restante está congelada nos pólos.
Os lagos, rios e riachos do mundo representam só 1% da água doce. Os cientistas dizem que qualquer redução dos calotas polares agravaria o problema do abastecimento ao elevar os níveis da água salgada. “A qualidade da água, a sua disponibilidade e as disputas em torno dos recursos aqüíferos vão piorar”, disse Peter Gleick, presidente do Pacific Institute, grupo de pesquisa de Oakland, na Califórnia, em entrevista concedida por telefone.
A ÁGUA NO MUNDO:
- Quantidade de água existente no Planeta Terra: 1,6 bilhões de Km3
- 1.350.000.000 Km3 de água salgada
- 29.000.000 Km3 de água doce congelada nas geleiras e calotas
- 8.600.000 Km3 de água doce nos continentes e sob eles
- 13.000 Km3 na forma de vapor de água na atmosfera
| Divisão da Água no Mundo | Quantidade em trilhões de toneladas |
| - 97,3 % é salgada e está nos mares e oceanos. | 1.235.000 |
| - Apenas 3 % é água doce e está dividida em: | 41.000 |
| - 75 % congelada nas calotas polares e geleiras. | 30.750 |
| - 13,785 % no subsolo entre 3.750 m e 750 m (lençóis profundos). | 5.652 |
| - 10,79 % no subsolo acima de 750 m. (lençóis superficiais). | 4.424 |
| - 0,3 % em lagos e lagoas. | 123 |
| - 0,03 % nos rios. | 12 |
| - 0,06 % na umidade do solo. | 25 |
| - 0,035 % na atmosfera na forma de vapor d’água. | 14 |
O CICLO HIDROLÓGICO:
Devido às diferentes e particulares condições climáticas presentes em nosso planeta a água pode ser encontrada, na natureza, em seus vários estados: sólido, líquido e gasoso.
Chamamos de
ciclo hidrológico, ou ciclo da água, à constante mudança de estado
da água na natureza.
A existência da água em vários estados permite a existência da
erosão da superfície terrestre. Não fossem as forças tectônicas,
que agem no sentido de criar montanhas, hoje a Terra seria um
planeta uniformemente recoberto por uma camada de 3 km de água
salgada.
Em seu incessante movimento na atmosfera e nas camadas mais superficiais da crosta, a água pode percorrer desde o mais simples até o mais complexo dos caminhos.
Quando uma chuva cai, uma parte da água se infiltra através dos espaços que encontra no solo e nas rochas. Pela ação da força da gravidade esta água vai se infiltrando até não encontrar mais espaços, começando então a se movimentar horizontalmente em direção às áreas de baixa pressão.
A única força que se opõe a este movimento é a força de adesão das moléculas d’água às superfícies dos grãos ou das rochas por onde penetra.
A água da chuva que não se infiltra, escorre sobre a superfície em direção às áreas mais baixas, indo alimentar os riachos, rios, mares, oceanos e lagos.
Em regiões suficientemente frias, como nas grandes altitudes e calotas polares, esta água pode se acumular na forma de gelo, onde poderá ficar imobilizada por milhões de anos.
O caminho subterrâneo das águas é o mais lento de todos. A água de uma chuva que não se infiltrou levará poucos dias para percorrer muitos e muitos quilômetros. Já a água subterrânea poderá levar dias para percorrer poucos metros. Havendo oportunidade esta água poderá voltar à superfície através das fontes indo se somar às águas superficiais, ou então, voltar a se infiltrar novamente.
Água
Alguém já disse que uma das aventuras mais fascinantes é acompanhar o ciclo das águas na Natureza. Suas reservas no planeta são constantes, mas isso não é motivo para desperdiçá-la ou mesmo poluí-la. A água que usamos para os mais variados fins é sempre a mesma, ou seja, ela é responsável pelo funcionamento da grande máquina que é a vida na Terra; sendo tudo isto movido pela energia solar.
Vista do espaço, a Terra parece o Planeta Água, pois esta cobre 75% da superfície terrestre, formando os oceanos, rios, lagos etc. No entanto, somente uma pequenina parte dessa água – da ordem de 113 trilhões de m3 – está à disposição da vida na Terra. Apesar de parecer um número muito grande, a Terra corre o risco de não mais dispor de água limpa, o que em última análise significa que a grande máquina viva pode parar.
A água nunca é pura na Natureza, pois nela estão dissolvidos gases, sais sólidos e íons. Dentro dessa complexa mistura, há uma coleção variada de vida vegetal e animal, desde o fitoplâncton e o zooplâncton até a baleia azul (maior mamífero do planeta). Dentro dessa gama de variadas formas de vida, há organismos que dependem dela inclusive para completar seu ciclo de vida (como ocorre com os insetos). Enfim, a água é componente vital no sistema de sustentação da vida na Terra e por isso deve ser preservada, mas nem sempre isso acontece. A sua poluição impede a sobrevivência daqueles seres, causando também graves conseqüências aos seres humanos.
A poluição da água indica que um ou mais de seus usos foram prejudicados, podendo atingir o homem de forma direta, pois ela é usada por este para ser bebida, para tomar banho, para lavar roupas e utensílios e, principalmente, para sua alimentação e dos animais domésticos. Além disso, abastece nossas cidades, sendo também utilizada nas indústrias e na irrigação de plantações. Por isso, a água deve ter aspecto limpo, pureza de gosto e estar isenta de microorganismos patogênicos, o que é conseguido através do seu tratamento, desde da retirada dos rios até a chegada nas residências urbanas ou rurais. A água de um rio é considerada de boa qualidade quando apresenta menos de mil coliformes fecais e menos de dez microorganismos patogênicos por litro (como aqueles causadores de verminoses, cólera, esquistossomose, febre tifóide, hepatite, leptospirose, poliomielite etc.). Portanto, para a água se manter nessas condições, deve-se evitar sua contaminação por resíduos, sejam eles agrícolas (de natureza química ou orgânica), esgotos, resíduos industriais, lixo ou sedimentos vindos da erosão.
Sobre a contaminação agrícola temos, no primeiro caso, os resíduos do uso de agrotóxicos (comum na agropecuária), que provêm de uma prática muitas vezes desnecessária ou intensiva nos campos, enviando grandes quantidades de substâncias tóxicas para os rios através das chuvas, o mesmo ocorrendo com a eliminação do esterco de animais criados em pastagens. No segundo caso, há o uso de adubos, muitas vezes exagerado, que acabam por ser carregados pelas chuvas aos rios locais, acarretando o aumento de nutrientes nestes pontos; isso propicia a ocorrência de uma explosão de bactérias decompositoras que consomem oxigênio, contribuindo ainda para diminuir a concentração do mesmo na água, produzindo sulfeto de hidrogênio, um gás de cheiro muito forte que, em grandes quantidades, é tóxico. Isso também afetaria as formas superiores de vida animal e vegetal, que utilizam o oxigênio na respiração, além das bactérias aeróbicas, que seriam impedidas de decompor a matéria orgânica sem deixar odores nocivos através do consumo de oxigênio.
Os resíduos gerados pelas indústrias, cidades e atividades agrícolas são sólidos ou líquidos, tendo um potencial de poluição muito grande. Os resíduos gerados pelas cidades, como lixo, entulhos e produtos tóxicos são carreados para os rios com a ajuda das chuvas. Os resíduos líquidos carregam poluentes orgânicos (que são mais fáceis de ser controlados do que os inorgânicos, quando em pequena quantidade). As indústrias produzem grande quantidade de resíduos em seus processos, sendo uma parte retida pelas instalações de tratamento da própria indústria, que retêm tanto resíduos sólidos quanto líquidos, e a outra parte despejada no ambiente. No processo de tratamento dos resíduos também é produzido outro resíduo chamado “chorume“, líquido que precisa novamente de tratamento e controle. As cidades podem ser ainda poluídas pelas enxurradas, pelo lixo e pelo esgoto.
Enfim, a poluição das águas pode aparecer de vários modos, incluindo a poluição térmica, que é a descarga de efluentes a altas temperaturas, poluição física, que é a descarga de material em suspensão, poluição biológica, que é a descarga de bactérias patogênicas e vírus, e poluição química, que pode ocorrer por deficiência de oxigênio, toxidez e eutrofização .
A eutrofização é causada por processos de erosão e decomposição que fazem aumentar o conteúdo de nutrientes, aumentando a produtividade biológica, permitindo periódicas proliferações de algas, que tornam a água turva e com isso podem causar deficiência de oxigênio pelo seu apodrecimento, aumentando sua toxidez para os organismos que nela vivem (como os peixes, que aparecem mortos junto a espumas tóxicas).
A poluição de águas nos países ricos é resultado da maneira como a sociedade consumista está organizada para produzir e desfrutar de sua riqueza, progresso material e bem-estar. Já nos países pobres, a poluição é resultado da pobreza e da ausência de educação de seus habitantes, que, assim, não têm base para exigir os seus direitos de cidadãos, o que só tende a prejudicá-los, pois esta omissão na reivindicação de seus direitos leva à impunidade às indústrias, que poluem cada vez mais, e aos governantes, que também se aproveitam da ausência da educação do povo e, em geral, fecham os olhos para a questão, como se tal poluição não atingisse também a eles. A Educação Ambiental vem justamente resgatar a cidadania para que o povo tome consciência da necessidade da preservação do meio ambiente, que influi diretamente na manutenção da sua qualidade de vida.
Dentro desse contexto, uma grande parcela da contenção da “saúde das águas” cabe a nós, brasileiros, pois se a Terra parece o Planeta Água, o Brasil poderia ser considerado sua capital, já que é dotado de uma extensa rede de rios, e privilegiado por um clima excepcional, que assegura chuvas abundantes e regulares em quase todo seu território.
O Brasil dispõe de 15% de toda a água doce existente no mundo, ou seja, dos 113 trilhões de m3 disponíveis para a vida terrestre, 17 trilhões foram reservados ao nosso país. No processo de reciclagem, quase a totalidade dessa água é recolhida pelas nove grandes Bacias Hidrográficas aqui existentes. Como a água é necessária para dar continuidade ao crescimento econômico, as Bacias Hidrográficas passam a ser áreas geográficas de preocupação de todos os agentes e interesses públicos e privados, pois elas passam por várias cidades, propriedades agrícolas e indústrias. No entanto, a presença de alguns produtos químicos industriais e agrícolas (agrotóxicos) podem impedir a purificação natural da água (reciclagem) e, nesse caso, só a construção de sofisticados sistemas de tratamento permitiriam a retenção de compostos químicos nocivos à saúde humana, aos peixes e à vegetação.
Quanto melhor é a água de um rio, ou seja, quanto mais esforços forem feitos no sentido de que ela seja preservada (tendo como instrumento principal de conscientização da população a Educação Ambiental), melhor e mais barato será o tratamento desta e, com isso, a população só terá a ganhar. Mas parece que a preocupação dos técnicos em geral é sofisticar cada vez mais os tratamentos de água, ao invés de se aterem mais à preservação dos mananciais, de onde é retirada água pura. Este é o raciocínio – mais irracional – de que a técnica pode fazer tudo. Técnicas sofisticadíssimas estão sendo desenvolvidas para permitir a reutilização da água no abastecimento público, não percebendo que a ingestão de um líquido tratado com tal grau de sofisticação pode ser tudo, menos o alimento vital do qual o ser humano necessita. Ou seja, de que adianta o progresso se não há qualidade de vida? A única medida mitigadora possível para este problema, na situação grave em que o consumo da água se encontra, foi misturar e fornecer à população uma água de boa procedência com outra de procedência pior, cuidadosamente tratada e controlada. Vejam a que ponto tivemos que chegar.
Portanto, a meta imediata é preservar os poucos mananciais intactos que ainda restam para que o homem possa dispor de um reservatório de água potável para que possa sobreviver nos próximos milênios.
Água no Brasil
O QUE É ÁGUA:
A água é formada de dois átomos de hidrogênio (H2) e um átomo de oxigênio (O), formando assim, a molécula H2O.
Mas não se pode esquecer que há dois tipos de água, a Salgada e a Doce. A salgada ocupa 99%
no total destas, sendo que a doce ocupa só 1% do espaço aquático no planeta Terra, sendo também que, apenas 0,23% deste total (estimativa).
O maior problema nisso tudo é que a maioria dos seres vivos necessita de água doce para sua sobrevivência e esta está ficando cada vez em menor quantidade, sendo assim, se ninguém cuidar, a vida poderá se acabar, ou pelo menos diminuir.
PRINCIPAIS PROPRIEDADES:
O Corpo Humano: Somos 70% Líquido
A maioria dos pesquisadores concorda que a ingestão de água pura é um dos mais importantes fatores para a conservação da saúde, prevenção das doenças e proteção do organismo contra o envelhecimento. Não é para menos: cerca de 10 milhões de pessoas morrem anualmente de doenças transmitidas pela água.
IMPORTÂNCIA DA ÁGUA EM NOSSA VIDA:
A Água no Corpo Humano
Cerca de 70 % do corpo humano é formado por água. Perdemos por dia em condições normais:
Respiração (durante a expiração) – 0,4 litro
Urina – 1,2 litro
Transpiração – 0,6 litro
Evacuação – 0,1 a 0,3 litros
TOTAL (aproximadamente) – 2,5 litros
- Quanta água precisa repor por dia:
Bebendo água – 1,5 litros. Ingerindo alimentos – 1,0 litro
A ÁGUA NO BRASIL:
Temos no Brasil alguns dos maiores recordes encontrados no Planeta Água: maior rio do Mundo (Rio Amazonas com 7.025 km de extensão), Quedas de água com os maiores fluxos de água do Planeta (Guaíra com 13.301.000 m3 por segundo de água – hoje encoberta sob o lago de Itaipu, Queda de Paulo Afonso no Rio São Francisco com 2.830.000 m3 por segundo, Urubupungá no Rio Paraná com 2.745.000 m3 por segundo). Temos ainda um dos maiores lagos do planeta, a Lagoa dos Patos com 10.1444 Km2 de área e com uma profundidade de 6,75 m.
Porém temos sérios problemas de gerenciamento destes recursos com índices de saneamento básico encontrados apenas em países do continente Africano:
O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística realizaram uma pesquisa entre 1989 e 1990 em 4.425 cidades e alerta: o precário saneamento básico é responsável por 80 % das doenças que afetam a população e 65 % das internações hospitalares de crianças. – 1,15 % dos Municípios tratavam o esgoto em 1990, hoje este índice chega em 10 %.
- 30 milhões de habitantes dos 150 milhões do Brasil não recebem água tratada.
- 92 % do esgoto produzido no país é lançado nos rios e no mar sem qualquer tratamento.
- Os rios são responsáveis por 51 % do consumo de água no país.
- No Brasil todos os dias são lançados 10 Bilhões de litros de esgoto nos rios e no mar.
No Estado de SP o consumo é de 354 mil litros por segundo, o mesmo consumo de uma família de quatro pessoas durante um ano e meio. 55,68 % é gasto em irrigação de lavouras, 21,60 % nas Indústrias e 22,72 % no consumo doméstico urbano.
A maior região metropolitana do país, a de São Paulo abrange 38 municípios com 17 milhões de habitantes, produzindo 12 mil toneladas de lixo por dia sendo que 95 % é enterrado em aterros sanitários contaminando córregos e os lençóis freáticos de água.
A cidade de São Paulo com 9,5 milhões de habitantes consome 210 milhões de litros de água por hora, o equivalente a 116 piscinas olímpicas. 60 % dessa água é captado a mais de 80 km de distância da capital. No final todo o esgoto (1.100 toneladas por dia) acaba no Rio Tietê. O atual projeto para despoluir o Rio Tietê está custando 900.000.000 de dólares, sendo a maior Estação de Tratamento de Esgoto de São Paulo, a de Barueri ocupa uma área de 20 ha ou 25 campos de futebol. Existe ainda um déficit, ou seja, uma falta no sistema de abastecimento de 2,5 mil litros/segundo, deixando muitas pessoas no chamado rodízio de água.
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ESCRITTO POR : GABRIELA O.S






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